A grumixama é chamada de cereja-do-brasil: fruta redonda, roxo-escura quando madura, de polpa doce e levemente ácida. O nome vem do tupi-guarani e quer dizer algo como “fruta que pega e aperta na língua ao comer”, segundo o artigo da UCDB citado abaixo. É nativa da Mata Atlântica e quase desconhecida fora dela. E tem um truque simples para quem quer fazer a muda.
Como este guia foi feito: este texto se baseia num informe técnico da Pesagro-Rio (2017) e num artigo da Universidade Católica Dom Bosco na revista Nativa (2017), ambos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
Quem é a grumixama
- Nome científico: Eugenia brasiliensis Lam., família Myrtaceae, a mesma da pitanga e da uvaia.
- Ocorrência: Mata Atlântica, do sul da Bahia a Santa Catarina.
- Porte: pequena árvore de cerca de 8 m, podendo chegar a 20 m na natureza.
- Folhas: simples, opostas, coriáceas e brilhantes.
- Flores: brancas, em grupos de 4 ou 5.
- Calendário: floresce do fim de setembro a novembro, e os frutos amadurecem em novembro e dezembro.
- Fruto: baga globosa, amarela, vermelha ou roxo-escura, com 1 ou 2 sementes.
Estaca não funciona (por enquanto)
Na UCDB, em Campo Grande (MS), pesquisadores testaram 480 estacas herbáceas de 8 a 10 cm, com dois reguladores de crescimento em quatro doses, em câmara de nebulização e em miniestufas de garrafa PET.
- Aos 100 dias, nenhuma estaca havia enraizado, em nenhum tratamento.
- As miniestufas de PET tiveram mais estacas vivas: 12,9%, contra 8,3% na câmara.
É o mesmo padrão de outras Myrtaceae nativas difíceis de clonar, como o cambuci. Veja Cambuci (Campomanesia phaea).

Semente: o truque da água a 60 °C
Na coleção de fruteiras da Pesagro-Rio, em Macaé (RJ), sementes de grumixama receberam cinco tratamentos e foram semeadas em sacolas de 2 litros, 10 sementes por sacola, em viveiro rústico.
| Tratamento | Resultado |
|---|---|
| Semeadura logo após tirar a polpa | Germinação mais baixa e mais lenta |
| Secas à sombra por 5 dias | Praticamente igual à semeadura imediata |
| Fermentadas com a polpa por 5 dias | Sem ganho importante |
| Água a 60 °C por 5 minutos, plantadas logo ou após 5 dias de sombra | Maior germinação e maior velocidade |
Aos 60 dias, as parcelas tratadas com água quente ficaram entre 80% e 100% de germinação. As da semeadura imediata ficaram entre 25% e 65%. Os autores avisam que a temperatura ideal ainda precisa ser estudada: menos calor pode não quebrar a dormência, e calor demais pode matar o embrião.
Passo a passo para fazer a muda (inferência a partir do estudo)
- Colha frutos bem maduros, em novembro ou dezembro.
- Tire a polpa e lave as sementes.
- Aqueça água a 60 °C. Use um termômetro de cozinha, porque o estudo alerta para o risco de calor demais.
- Mergulhe as sementes por 5 minutos.
- Semeie em sacolas ou vasos de cerca de 2 L, em local sombreado.
- Conte cerca de 60 dias para a germinação.
- Não guarde as sementes por muito tempo. Myrtaceae de fruto carnoso costumam perder viabilidade. Veja como guardar sementes em casa.
Na varanda (inferência)
- É árvore: precisa de vaso grande e poda de formação, como as outras Myrtaceae. Veja jabuticabeira em vaso.
- Muda de semente varia e pode demorar a produzir.
- Flores brancas na primavera atraem polinizadores. Veja Jardim para polinizadores em varanda pequena.
Conclusão
A grumixama é uma cereja brasileira da Mata Atlântica, que floresce de setembro a novembro e frutifica em novembro e dezembro. A estaca não enraizou em 100 dias no estudo da UCDB, mas a semente tratada 5 minutos em água a 60 °C germinou mais e mais rápido na Pesagro-Rio. Para a varanda, o caminho é semente fresca, água quente na medida, vaso grande e paciência.
Fontes
- IDE, C. D. et al. Germinação de sementes de grumixama (Eugenia brasiliensis Lam.) submetidas a tratamento térmico e fermentação. Niterói: Pesagro-Rio, 2017. (Informe Técnico, 110).
- SANTIN, A. A. et al. Propagação da grumixameira em função de reguladores de crescimento e ambientes de cultivo. Nativa, v. 5, n. 2, p. 114-117, 2017.

