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Cochonilha de carapaça: óleo mineral, vegetal ou nim? O que o teste da Embrapa mostrou

Cochonilha de carapaça resiste a muito produto. Num teste da Embrapa Roraima, óleo mineral (87,8%), óleo vegetal (84%) e óleo de nim (74%) superaram os inseticidas sistêmicos. Veja por que e como usar com segurança.

Cochonilha-de-escama (Diaspis echinocacti) cobrindo a superfície de um cacto

Escamas marrons ou brancas grudadas nos ramos e na face de baixo das folhas, planta amarelando e, às vezes, formigas subindo e descendo: é cochonilha. As de carapaça são difíceis porque a “casquinha” protege o inseto. Um teste da Embrapa Roraima comparou produtos e mostrou que, para elas, óleo funcionou melhor que inseticida sistêmico.

Como este guia foi feito: este texto se baseia num trabalho da UFRR com a Embrapa Roraima, num folder da Emparn com a Embrapa Semiárido (2018) e na ficha agroecológica nº 20 do Ministério da Agricultura, todos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.

O teste com a cochonilha da acácia

Em Boa Vista (RR), em árvores de Acacia mangium com ataque severo da cochonilha Lecanodiaspis dendrobii, foram aplicados, com cerca de 2 litros de calda por planta:

Produto (dose em 100 L) Mortalidade de adultos e ninfas em 7 dias
Óleo mineral 2 L + detergente neutro 200 mL 87,8%
Óleo vegetal 2 L + detergente neutro 200 mL 84%
Óleo de nim 2 L + detergente neutro 200 mL 74%
Imidacloprido (sistêmico) 49%
Tiametoxam (sistêmico) 37,4%

Por que o óleo funciona: segundo os autores, ele fecha os espiráculos, os orifícios por onde o inseto respira, e o mata por falta de oxigênio. Os sistêmicos demoraram mais para chegar à parte infestada.

Ramo com colônias de cochonilha e melado
Foto: The original uploader was Diomidis Spinellis at English Wikipedia. / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. página da foto.

O manejo da cochonilha-de-escama na palma

A Emparn e a Embrapa Semiárido trabalham com a cochonilha-de-escama da palma forrageira (Diaspis echinocacti), parente das que atacam cactos e suculentas de varanda. As recomendações:

  • Monitorar a cada 7 a 15 dias e retirar as partes muito infestadas.
  • Plantar material livre de cochonilha.
  • Pulverizar só os focos, até escorrer.
  • Usar óleo a 2%: no pulverizador de 20 L, 400 mL de óleo e, no caso de óleo de algodão ou de mamona, 300 mL de detergente neutro (1,5%).
  • Preservar joaninhas, ácaros predadores e vespinhas parasitoides.

Um detalhe útil: pontinhos esbranquiçados novos sobre a planta indicam ninfas jovens, uma nova geração. É o momento de agir, porque as ninfas recém-nascidas ainda se movem antes de se fixar.

Sabão: a opção mais simples

A ficha nº 20 do Ministério da Agricultura traz duas receitas de solução de sabão:

  • 50 g de sabão de coco em pó em 5 litros de água fervida, aplicada já fria.
  • 1 colher de sopa de sabão caseiro raspado em 5 litros de água.

A ficha lembra que as cochonilhas muitas vezes aparecem com formigas açucareiras, que se alimentam do açúcar que escorre. Esse açúcar também alimenta a fumagina.

Atenção: a mesma ficha traz uma receita com fumo, que contém substância tóxica e exige 48 horas de carência antes da colheita. Em varanda com crianças e pets, prefira óleo e sabão.

Como aplicar na varanda (inferência a partir das fontes)

  1. Dose de 2%: 20 mL de óleo em 1 litro de água, com 2 mL de detergente neutro para misturar.
  2. Teste numa folha e espere um dia. Algumas plantas são sensíveis a óleo.
  3. Aplique nas horas frescas, nunca no sol forte.
  4. Molhe bem as colônias, inclusive na face de baixo das folhas e nas axilas.
  5. Para colônias pequenas, um cotonete com álcool ou uma escova macia resolvem.
  6. Repita depois de 1 a 2 semanas para pegar as ninfas que nascerem.

Para reconhecer cochonilhas, pulgões e moscas-brancas, veja Pulgões, moscas-brancas e cochonilhas.

Conclusão

Contra cochonilha de carapaça, o teste da Embrapa Roraima mostrou óleo mineral (87,8%), óleo vegetal (84%) e óleo de nim (74%) à frente dos inseticidas sistêmicos. Na varanda, óleo a 2% com um pouco de detergente neutro, aplicado nas horas frescas e repetido depois de uma ou duas semanas, junto com a retirada das partes infestadas e o controle das formigas, resolve a maioria dos casos.

Fontes

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Equipe Varanda Nativa

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