De manhã, a planta que estava cheia de folhas amanheceu quase pelada, e o chão ao lado tem uma fileira de formigas carregando pedacinhos verdes. Quem já passou por isso sabe como é desanimador. A boa notícia é que o dano das formigas cortadeiras tem uma assinatura inconfundível, e existem barreiras simples, com material que quase todo mundo tem em casa.
Este guia resume o que a Embrapa Hortaliças diz sobre as formigas cortadeiras (saúvas) em hortas urbanas e o que isso significa para vasos e sacadas.
Um aviso de método: a publicação da Embrapa foi escrita para hortas urbanas (pátios, terraços e sacadas de apartamentos), com foco em hortaliças. Ela não fala de plantas nativas ornamentais. Quando o texto adapta algo para o vaso da varanda, isso aparece marcado como inferência, e não como dado da fonte.
Como reconhecer
A Embrapa descreve as saúvas como uma das pragas mais importantes da agricultura brasileira. Elas têm organização social e vivem em ninhos subterrâneos, os formigueiros. Cortam folhas, hastes e flores e as levam para dentro da colônia, onde servem de substrato para o cultivo de um fungo, que é o alimento delas.
Alguns sinais para identificar, segundo a fonte:
- têm três ou quatro pares de espinhos nas costas, logo depois da cabeça;
- são mais ativas à noite e nas horas de temperatura mais amena;
- o corte nas folhas tem formato de meia-lua ou arco, e o ataque pode levar à desfolha completa da planta.
Se a folha está roída de outro jeito, com buracos irregulares ou raspada, o culpado pode ser outro bicho. Veja também folhas queimadas nas plantas da varanda, para separar dano de sol de dano de praga.

O que a Embrapa recomenda
- Barreiras: canais de terra ou canaletas de cimento cheios de água com gotas de detergente neutro em volta dos canteiros; latas de óleo ou garrafas PET, sem fundo e sem tampa, colocadas em volta dos caules, levemente enterradas e untadas com graxa por fora.
- Planta repelente: cultivo permanente de batata-doce ao redor da horta ou entre os canteiros. Quando a formiga ataca a rama, o látex que escorre causa repelência.
- Planta com ação inseticida: gergelim ao redor da horta. A fonte diz que ele é atacado pelas formigas, mas substâncias presentes na planta afetam a vida das saúvas e reduzem o tamanho do formigueiro.
- Cinzas: cinza de madeira, peneirada do fundo da churrasqueira ou do fogão a lenha, funciona como repelente. Deve ser misturada com água e aplicada sobre as plantas no fim da tarde.
E em apartamento?
A publicação cita expressamente terraços e sacadas de apartamentos entre os lugares das hortas urbanas, mas não diz com que frequência as saúvas aparecem em andares altos. É razoável supor (inferência) que o problema seja mais comum em varandas térreas, de casa ou próximas a jardins e terra, e menos em andares altos. Se a sua varanda é de térreo, vale conferir o chão e os cantos por onde a trilha entra.
Para vasos, a adaptação mais direta da barreira de garrafa PET é isolar o vaso do chão, apoiando-o sobre um suporte cercado por água com detergente, de modo que a formiga não tenha ponte até a planta. Essa adaptação é uma sugestão deste guia, não da fonte. Um cuidado: pratinhos com água parada podem criar outros problemas, como explicamos em prato com água embaixo do vaso: ajuda ou atrapalha?
Perguntas frequentes
Dá para resolver só com barreira?
A Embrapa apresenta barreiras, plantas repelentes e cinzas como medidas de baixa toxicidade para hortas urbanas. A fonte não dá percentual de eficácia, então não é possível prometer resultado.
Por que a batata-doce repele?
Segundo a publicação, quando a formiga ataca a rama, escorre um látex que causa repelência.
A formiga que vi é cortadeira?
Olhe as costas: três ou quatro pares de espinhos e o corte em meia-lua nas folhas são os sinais descritos pela Embrapa.

