Duas doenças de nome parecido, sintomas parecidos e tratamentos diferentes: míldio e oídio. Para complicar, existe um oídio que vive na face de baixo da folha e deixa manchas amarelas em cima, o que o faz parecer míldio. A Embrapa Hortaliças descreve cada um, e com essas descrições dá para diferenciar na varanda.
Como este guia foi feito: este texto se baseia na Circular Técnica 121 (2013) e no Comunicado Técnico 26 (2005) da Embrapa Hortaliças, e no Comunicado Técnico 13 da Embrapa Meio Ambiente (2004), todos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
Oídio comum: pó branco por cima
- Cucurbitáceas (abóbora, pepino, melão, melancia): crescimento branco pulverulento sobre a superfície das folhas, começando nas mais velhas e mais forte na frutificação.
- Tomate (Oidium lycopersici): micélio abundante na face de cima. Ao sacudir a planta, sai um pó branco. Comum no período seco e no cultivo protegido.
Para o controle com leite, veja Oídio, o pó branco nas folhas.
Oídio da face de baixo: o que confunde
O fungo Oidiopsis haplophylli (ou Oidiopsis taurica) ataca tomate, pimentão e muitas outras plantas:
- Começa com manchas amareladas na face de cima.
- Embaixo de cada mancha há um crescimento branco pulverulento na face de baixo.
- No pimentão, começa nas folhas mais velhas; em ataques fortes, as folhas caem.
- Segundo o Comunicado 26, o fungo germina melhor entre 20 °C e 25 °C, e acima de 30 °C os sintomas e a morte das folhas se aceleram. Ele tem ganhado importância justamente em ambientes de umidade baixa e cultivo protegido.

Míldio: mancha angulosa e mofo colorido embaixo
Nas cucurbitáceas, o míldio (Pseudoperonospora cubensis) é descrito assim pela Embrapa:
- Começa na face de cima das folhas mais velhas com manchas cloróticas, angulosas e encharcadas.
- As manchas ficam marrons ou bronzeadas e, com umidade alta, crescem e se juntam.
- A folha seca, mas continua presa à planta.
- Na face de baixo, nas áreas afetadas, aparecem frutificações verde-oliva a púrpura.
A tabela para diferenciar
| Sinal | Oídio comum | Oídio da face de baixo | Míldio |
|---|---|---|---|
| Face de cima | Pó branco | Mancha amarela | Mancha angulosa, encharcada, depois marrom |
| Face de baixo | Pouco ou nada | Pó branco | Mofo verde-oliva a púrpura |
| Sai com o dedo? | Sim, o pó | Pó embaixo, sim | Não; o tecido está lesionado |
| Clima que favorece | Seco, cultivo protegido | Seco, 20-25 °C, cultivo protegido | Umidade alta |
Inferência útil: a pista do clima ajuda muito. Varanda envidraçada e seca favorece os oídios; semanas de chuva e folhas molhadas favorecem o míldio.
O que fazer (inferência a partir das fontes)
- Oídios: leite cru a 5% ou 10%, uma vez por semana, como no estudo da Embrapa. Ventilação e espaço entre os vasos.
- Míldio: reduza a água sobre as folhas. Regue o substrato, não a folhagem, e de manhã, para a folha secar. Retire as folhas muito atacadas.
- Os dois: cultivares resistentes. O Comunicado 26 aponta a resistência genética como a medida mais adequada para o oídio em tomate e pimentão.
- Manchas que não combinam com nenhum dos casos? Veja Manchas nas folhas: investigue antes de aplicar produto.
Conclusão
Oídio comum é pó branco por cima, que sai com o dedo. O oídio da face de baixo deixa manchas amarelas em cima e pó branco embaixo, e gosta de tempo seco. Míldio é mancha angulosa encharcada, que escurece, com mofo verde-oliva a púrpura embaixo, e gosta de umidade. Identificar certo evita tratar a doença errada.
Fontes
- PEREIRA, R. B.; CARVALHO, A. D. F.; PINHEIRO, J. B. Diagnose e controle alternativo de doenças em tomate, pimentão, cucurbitáceas e cenoura. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2013. (Circular Técnica, 121).
- REIS, A.; BOITEUX, L. S.; LOPES, C. A.; HENZ, G. P. Oidiopsis haplophylli (Leveillula taurica): um patógeno polífago e amplamente distribuído no Brasil. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2005. (Comunicado Técnico, 26).
- BETTIOL, W. Leite de vaca cru para o controle de oídio. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente, 2004. (Comunicado Técnico, 14).

