Abelhinhas pretas e reluzentes, sem ferrão, roendo botões, brotos e frutos, e que se enroscam no cabelo de quem chega perto: é a abelha irapuá, também chamada de arapuá ou abelha-cachorro (Trigona spinipes). Ela é nativa, poliniza muitas plantas e, ao mesmo tempo, pode virar praga. A Embrapa tem uma posição clara sobre como lidar com ela.
Como este guia foi feito: este texto se baseia no livro Meliponicultura: o produtor pergunta, a Embrapa responde (2024), perguntas 408 a 419, e no capítulo de pragas do maracujazeiro da Embrapa Acre (2021), ambos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
Como reconhecer
- Abelha preta e brilhante, de 6,5 a 7 mm, com asas quase pretas na metade da base.
- Sem ferrão, mas defensiva: enrosca-se nos pelos e cabelos, porque o corpo costuma estar coberto de resina, e pode entrar em orelhas e narinas.
- Ninhos externos, em árvores, feitos de resina e fibras.
Que danos ela causa
Segundo a Embrapa, as irapuás podem:
- Cortar ou raspar botões florais, flores, folhas, ramos e frutos.
- Afastar polinizadores, mordendo as pernas, antenas e o corpo de outras abelhas.
- Coletar néctar e pólen sem polinizar.
- Abrir feridas por onde entram microrganismos causadores de doenças.
No maracujá, a Embrapa Acre cita redução de sete vezes no número de frutos quando as irapuás ocupam as flores e afastam as mamangavas.
Plantas com danos registrados: acerola, banana, caju, goiaba, laranja, limão, manga, maracujá, melancia, melão, mirtilo, pitaia e uva, entre outras.

Por que não exterminar o ninho
A Embrapa é direta: “não se faz necessário o seu extermínio”. Os motivos:
- É prática danosa ao meio ambiente.
- Só pode ser feita com autorização do órgão de fiscalização ambiental.
- A presença dessas abelhas não implica necessariamente perda econômica, e elas polinizam várias plantas.
- Não há nenhum produto registrado no Ministério da Agricultura para controlar abelhas consideradas praga.
Importante saber: do ponto de vista agroecológico, a Embrapa trata o inseto que causa dano como um bioindicador de desequilíbrio: um sinal de que falta alimento ou material de ninho no entorno.
O que a Embrapa recomenda no lugar
- Plantas atrativas que forneçam néctar, pólen, resinas e folhas tenras, plantadas na direção oposta ao cultivo e mais perto dos ninhos.
- Atrativos artificiais temporários nas épocas de ataque: água com açúcar, água com mel, café com açúcar ou chás, e fontes de proteína como farelo de soja ou de trigo. No maracujá, a Embrapa Acre cita esponjas embebidas em xarope de mel ou açúcar perto do plantio.
- Ensacamento dos frutos.
- Realocação do ninho para um local onde não cause dano, também com autorização dos órgãos ambientais e de defesa agropecuária.
- Biofertilizantes e caldas repelentes nas plantas mais atacadas.
Na varanda (inferência)
- Não tente remover o ninho sozinho. Além da exigência legal, as irapuás são defensivas.
- Ensaque frutos com saquinhos de tecido fino.
- Ofereça alternativas: flores variadas na varanda diminuem a pressão sobre uma única planta. Veja Jardim para polinizadores em varanda pequena.
- Se a sua ideia é criar abelhas sem ferrão, a jataí é dócil, ao contrário da irapuá. Veja Jataí na varanda.
Conclusão
A irapuá é uma abelha nativa sem ferrão que pode cortar botões, raspar frutos e afastar polinizadores. A Embrapa não recomenda exterminar o ninho: não há produto registrado, a ação exige autorização ambiental e a abelha tem papel ecológico. O caminho é convivência: plantas atrativas, atrativos temporários, ensacamento de frutos e, se preciso, realocação autorizada do ninho.
Fontes
- DRUMOND, P. M. et al. (ed.). Meliponicultura: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasília: Embrapa, 2024. (Coleção 500 Perguntas 500 Respostas). Perguntas 408 a 419.
- SANTOS, R. S.; FAZOLIN, M. Pragas. In: Cultura do maracujazeiro no estado do Acre. Rio Branco: Embrapa Acre, 2021. (Sistema de Produção, 10).

