Cacto parece coisa de deserto mexicano, mas o Brasil é um dos países mais ricos em cactos nativos. Segundo a Embrapa Semiárido, o país é o terceiro maior centro de diversidade da família Cactaceae. E boa parte dessas espécies só existe aqui, algumas ameaçadas justamente pela retirada de plantas da natureza para venda.
Como este guia foi feito: este texto se baseia no Comunicado Técnico 152 da Embrapa Semiárido (2012) e na Circular Técnica 39 da Embrapa Agroindústria Tropical (2012), ambos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
Os números da diversidade
| Dado | Valor citado pela Embrapa |
|---|---|
| Cactaceae no mundo | Cerca de 124 gêneros e mais de 1.400 espécies |
| Gêneros nativos do Brasil | 37 |
| Espécies nativas do Brasil | 227 |
| Espécies endêmicas do Brasil | 176 |
| Espécies na Caatinga (sentido estrito) | 57, das quais cerca de 74% endêmicas |
| Espécies do gênero Cereus (mandacarus) | Cerca de 35 |
Alguns cactos nativos citados pela Embrapa
- Mandacaru (Cereus jamacaru): colunar, de flores brancas noturnas. Veja mandacaru em vaso.
- Xique-xique (Pilosocereus gounellei).
- Coroas-de-frade (Melocactus zehntneri e Melocactus bahiensis): globosas, com o “chapéu” característico no topo.
- Mandacaruzinho (Cereus albicaulis): endêmico da Caatinga, do Piauí a Minas Gerais.

O problema: tirar da natureza
A Embrapa registra que várias cactáceas da Caatinga estão ameaçadas de extinção. O mandacaruzinho está entre as endêmicas que mais perderam população, principalmente por desmatamento. E, por serem apreciados como ornamentais, os cactos nativos são explorados de forma extrativista: segundo a Embrapa Semiárido, a coleta indiscriminada e o comércio ilegal estão entre as atividades que mais comprometem a sobrevivência dessas espécies.
Por isso a Embrapa pesquisa propagação: sementes, estaquia e cultivo in vitro permitem produzir mudas em escala e “evitar a extração predatória na natureza”, nas palavras da circular do mandacaru.
Como a Embrapa multiplica
- Semente: mantém a variabilidade genética e é a base para conservação e reintrodução. No mandacaruzinho, as sementes são esfregadas em peneira sob água corrente e secas à sombra por 3 dias, até a mucilagem secar.
- Estaquia e enxertia: clonam materiais raros ou selecionados.
- Cultivo in vitro: no mandacaruzinho, fragmentos de 1 cm de plantas germinadas em laboratório geram novas brotações em meio de cultura.
Como ter cacto nativo do jeito certo (inferência)
- Compre de viveiro que produza por semente ou estaca. Desconfie de plantas grandes, velhas e baratas, com raiz cortada e terra de campo.
- Coroa-de-frade com “chapéu” grande vendida na beira de estrada é forte suspeita de retirada da natureza.
- Não colete cactos em viagens.
- Cultive com sol pleno, substrato muito drenante e pouca água. Veja Substrato drenante para plantas nativas em vasos e Plantas nativas para varanda de sol pleno.
Conclusão
O Brasil tem 227 espécies de cactos nativos, 176 delas endêmicas, e a Caatinga concentra muitas que só existem lá. Várias, como coroas-de-frade e o mandacaruzinho, sofrem com desmatamento e coleta ilegal. Ter um cacto nativo na varanda é ótimo, desde que a planta venha de viveiro que propaga por semente ou estaca, nunca da natureza.
Fontes
- SOUZA, A. V. V.; SANTOS, A. P. B.; BISPO, L. P. Germinação e multiplicação in vitro de mandacaruzinho. Petrolina: Embrapa Semiárido, 2012. (Comunicado Técnico, 152).
- CORREIA, D. et al. Produção de mudas de mandacaru. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2012. (Circular Técnica, 39).

