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Cactos nativos do Brasil: 176 espécies endêmicas e por que comprar só de viveiro

O Brasil é o terceiro maior centro de diversidade de cactos, com 227 espécies nativas e 176 endêmicas. Várias, como coroas-de-frade e o mandacaruzinho, estão ameaçadas pela coleta ilegal. Veja como ter cacto nativo sem prejudicar a natureza.

Coroa-de-frade (Melocactus zehntneri) na Bahia

Cacto parece coisa de deserto mexicano, mas o Brasil é um dos países mais ricos em cactos nativos. Segundo a Embrapa Semiárido, o país é o terceiro maior centro de diversidade da família Cactaceae. E boa parte dessas espécies só existe aqui, algumas ameaçadas justamente pela retirada de plantas da natureza para venda.

Como este guia foi feito: este texto se baseia no Comunicado Técnico 152 da Embrapa Semiárido (2012) e na Circular Técnica 39 da Embrapa Agroindústria Tropical (2012), ambos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.

Os números da diversidade

Dado Valor citado pela Embrapa
Cactaceae no mundo Cerca de 124 gêneros e mais de 1.400 espécies
Gêneros nativos do Brasil 37
Espécies nativas do Brasil 227
Espécies endêmicas do Brasil 176
Espécies na Caatinga (sentido estrito) 57, das quais cerca de 74% endêmicas
Espécies do gênero Cereus (mandacarus) Cerca de 35

Alguns cactos nativos citados pela Embrapa

  • Mandacaru (Cereus jamacaru): colunar, de flores brancas noturnas. Veja mandacaru em vaso.
  • Xique-xique (Pilosocereus gounellei).
  • Coroas-de-frade (Melocactus zehntneri e Melocactus bahiensis): globosas, com o “chapéu” característico no topo.
  • Mandacaruzinho (Cereus albicaulis): endêmico da Caatinga, do Piauí a Minas Gerais.
Xique-xique (Pilosocereus gounellei) na Caatinga
Foto: Emerson Antônio Rocha Melo de Lucena / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. página da foto.

O problema: tirar da natureza

A Embrapa registra que várias cactáceas da Caatinga estão ameaçadas de extinção. O mandacaruzinho está entre as endêmicas que mais perderam população, principalmente por desmatamento. E, por serem apreciados como ornamentais, os cactos nativos são explorados de forma extrativista: segundo a Embrapa Semiárido, a coleta indiscriminada e o comércio ilegal estão entre as atividades que mais comprometem a sobrevivência dessas espécies.

Por isso a Embrapa pesquisa propagação: sementes, estaquia e cultivo in vitro permitem produzir mudas em escala e “evitar a extração predatória na natureza”, nas palavras da circular do mandacaru.

Como a Embrapa multiplica

  • Semente: mantém a variabilidade genética e é a base para conservação e reintrodução. No mandacaruzinho, as sementes são esfregadas em peneira sob água corrente e secas à sombra por 3 dias, até a mucilagem secar.
  • Estaquia e enxertia: clonam materiais raros ou selecionados.
  • Cultivo in vitro: no mandacaruzinho, fragmentos de 1 cm de plantas germinadas em laboratório geram novas brotações em meio de cultura.

Como ter cacto nativo do jeito certo (inferência)

  1. Compre de viveiro que produza por semente ou estaca. Desconfie de plantas grandes, velhas e baratas, com raiz cortada e terra de campo.
  2. Coroa-de-frade com “chapéu” grande vendida na beira de estrada é forte suspeita de retirada da natureza.
  3. Não colete cactos em viagens.
  4. Cultive com sol pleno, substrato muito drenante e pouca água. Veja Substrato drenante para plantas nativas em vasos e Plantas nativas para varanda de sol pleno.

Conclusão

O Brasil tem 227 espécies de cactos nativos, 176 delas endêmicas, e a Caatinga concentra muitas que só existem lá. Várias, como coroas-de-frade e o mandacaruzinho, sofrem com desmatamento e coleta ilegal. Ter um cacto nativo na varanda é ótimo, desde que a planta venha de viveiro que propaga por semente ou estaca, nunca da natureza.

Fontes

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Equipe Varanda Nativa

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