O caruru é aquela planta que aparece sozinha em qualquer canto com terra e que quase todo mundo arranca. Durante muito tempo serviu de complemento na alimentação de porcos, daí o nome caruru-de-porco. O amaranto é parente próximo e mais ereto. As duas são comestíveis, nutritivas e, segundo a Embrapa, uma excelente alternativa quando faltam outras folhosas.
Um aviso de método: este guia se baseia numa ficha técnica da Embrapa Hortaliças, lida na íntegra, que descreve o cultivo em canteiro e em campo. Quando o texto adapta algo para vaso ou varanda, isso aparece marcado como inferência, e não como dado da fonte.
Quem são
A ficha da Embrapa trata as duas juntas: o amaranto (Amaranthus cruentus) e o caruru (Amaranthus deflexus), da família Amaranthaceae. São hortaliças herbáceas e anuais, nativas da América do Sul tropical. O amaranto cresce ereto até 2 m; o caruru é subprostrado, com até 1,5 m. Outros nomes do caruru registrados na ficha: caruru-rasteiro e bredo.
As folhas são tenras e esverdeadas, às vezes com nervuras violáceas ou manchas escuras. As flores se juntam em espigas verde-pálidas no alto da planta e nas axilas das folhas; caule e raízes são avermelhados. As sementes são pretas e brilhantes, em grande número. Nas variedades de amaranto selecionadas para grão, as sementes são brancas.
Por que é tão resistente
A Embrapa explica que o sistema radicular vigoroso e o ciclo curto dão às duas espécies alta tolerância a estresses hídricos. É também por isso que muitas vezes são vistas como infestantes: se adaptam a quase tudo. Para uma varanda que seca rápido no verão, isso é uma vantagem rara entre as folhosas (inferência).
Plantio
- reprodução por sementes, de modo fácil e intenso;
- cultivo o ano todo, desde que haja água no estabelecimento das plantas;
- em canteiro, semeio a lanço com incorporação superficial; ou em linhas de 0,5 a 0,6 m com 10 a 20 plantas por metro;
- capinar e irrigar sempre que necessário.
Em vaso (inferência): semear direto, cobrindo pouco, e desbastar deixando as mais fortes. Um vaso retangular de jardineira acomoda uma linha inteira.

Colheita: folha ou grão
- Folhas: colher quando as plantas têm 25 a 40 cm, ainda bem tenras. A ficha descreve arrancar a planta e cortar as raízes; em vaso, dá para colher só as pontas (inferência).
- Floração: em torno de 45 a 50 dias após o plantio. As folhas devem ser colhidas de preferência antes das inflorescências, quando ainda estão macias.
- Grãos: no amaranto, a colheita de sementes é feita entre 90 e 100 dias.
Na cozinha
A Embrapa registra teores significativos de ferro e cálcio e até 29% de proteína na matéria seca. A vida útil das folhas é curta: consumir logo ou guardar em embalagem plástica na geladeira por pouco tempo. As sementes entram na fabricação de pães. A ficha traz um bolinho: 100 g de ramos jovens de caruru refogados, misturados a 200 g de mandioca cozida e amassada com uma cebola, modelados e dourados no azeite.
Perguntas frequentes
Caruru que nasce sozinho pode ser comido?
A Embrapa trata o caruru como hortaliça folhosa. Só coma se tiver certeza da identificação e se a planta não cresceu em terreno contaminado.
Precisa de muita água?
Só no estabelecimento. Depois, a ficha destaca a alta tolerância a estresse hídrico.
Quando as folhas ficam duras?
Depois da floração, que vem por volta de 45 a 50 dias. Colha antes.

