Folhas com pontinhos claros, que vão perdendo a cor, secam e caem, e uma teia fina entre folhas e caules: esse é o retrato do ácaro-rajado (Tetranychus urticae). É minúsculo, difícil de ver a olho nu e um dos maiores problemas de quem cultiva em ambiente protegido. A varanda envidraçada, quente e de ar seco é um desses ambientes.
Como este guia foi feito: este texto se baseia no Comunicado Técnico nº 6 do Instituto Federal do Espírito Santo (2020) e num estudo da Embrapa Meio Ambiente sobre controle biológico do ácaro no morangueiro (2008), ambos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
Por que ele é tão difícil
- Ciclo de vida curto, muitas plantas hospedeiras e espalha-se com facilidade, segundo o Ifes.
- Resistência: o uso repetido de acaricidas sintéticos selecionou populações resistentes.
- Estrago: no morangueiro, em população alta, pode reduzir a produção em até 80% ou matar a planta (Embrapa Meio Ambiente).
- Clima a favor: em cultivo protegido a temperatura sobe e a umidade relativa cai, condição favorável ao ácaro, segundo o estudo da Embrapa.
Plantas que ele ataca
O Ifes lista solanáceas (tomate, berinjela, pimentão), cucurbitáceas (pepino, abobrinha), ornamentais (rosas, crisântemo, cravos) e perenes como morango, uva e cítricos. Na varanda, pimentas, tomateiros e roseiras estão entre os primeiros alvos.
Como reconhecer
- Folha descolorida: o ácaro raspa e suga o conteúdo das células, e a folha perde a cor em pontinhos.
- Murcha e seca: com o avanço, as folhas secam e caem.
- Teias: em ataque intenso, aparecem teias finas.
- Face de baixo: é ali que ficam os ácaros e os ovos. Use uma lupa.
Pontinhos e descoloração também aparecem com tripes e percevejos. Compare em Diagnóstico de pragas pelo tipo de dano na folha.

Controle: o que o Ifes recomenda para manejo agroecológico
1. Inimigos naturais
Em ambientes com vegetação diversificada aparecem joaninhas, aranhas, percevejos predadores, tripes predadores e ácaros predadores. Há no mercado os ácaros predadores Phytoseiulus macropilis e Neoseiulus californicus e o fungo Beauveria bassiana. Nos produtos citados, a liberação dos predadores deve ser feita no início da infestação. Um deles recomenda começar a partir de 5 ácaros por folha.
2. Manejo cultural
- Mudas sadias e ferramentas limpas.
- Podar e eliminar partes infestadas.
- Diversificar plantas para abrigar inimigos naturais. Veja Inimigos naturais e plantas repelentes.
- Adubação orgânica equilibrada e monitoramento frequente.
3. Produtos permitidos na produção orgânica
A Instrução Normativa nº 17/2014 permite, entre outros, sabão e detergente neutros biodegradáveis, extratos de plantas e óleos essenciais. Pesquisas citadas pelo Ifes mostram efeito acaricida de óleos essenciais de eucalipto, gengibre, manjericão, tomilho, alecrim e tangerina, entre outros.
Atenção: o comunicado lembra que a aplicação de produtos biológicos deve ser feita de baixo para cima, pelo hábito do ácaro de ficar na face de baixo das folhas, e nas horas mais frescas. Teste qualquer calda numa folha antes de aplicar na planta toda.
Na varanda (inferência)
- Varanda envidraçada e quente: é o cenário de “cultivo protegido” em que o ácaro prospera. Ventile. Veja Varanda aberta ou envidraçada.
- Ar muito seco: agrupar os vasos ajuda a manter o microclima mais úmido. Veja Os microclimas da varanda.
- Isolamento: separe a planta atacada das outras até controlar.
- Vistoria semanal da face de baixo das folhas, com lupa, nas plantas preferidas.
Conclusão
O ácaro-rajado gosta de calor e ar seco, descolore as folhas e tece teias. Como resiste a acaricidas, o caminho recomendado pelo Ifes combina inimigos naturais, manejo cultural e produtos permitidos na produção orgânica, como sabão neutro e óleos essenciais. Na varanda, ventilação, umidade e vistoria da face de baixo das folhas fazem a diferença.
Fontes
- LIMA, K. F.; MENINI, L.; PIROVANI, V. D. Métodos de manejo agroecológico para o controle do ácaro rajado – Tetranychus urticae. Alegre: Ifes, 2020. (Comunicado Técnico, 6).
- MORAIS, P.; MORANDI, M. A. B.; PEREIRA, R. A.; COSTA, L. B. Controle biológico do ácaro rajado Tetranychus urticae em morangueiro em cultivo protegido. Embrapa Meio Ambiente, 2008.

