A pimenta-biquinho é a pimenta para quem não gosta de ardor. Segundo a Embrapa Hortaliças, ela tem de 0 a 200 unidades Scoville (SHU), contra 150 mil a 165 mil da malagueta. Pertence à espécie Capsicum chinense, que a Embrapa considera “a mais brasileira entre as espécies domesticadas”. E dá certo em vaso: essa pimenta tem cultivares registradas e pesquisa sobre tamanho de recipiente.
Como este guia foi feito: este texto se baseia na Circular Técnica 172 da Embrapa Hortaliças e num estudo da Embrapa/Epamig com a UFV sobre pimentas em vasos de diferentes volumes (Revista Brasileira de Horticultura Ornamental, 2010), ambos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
De onde vem a biquinho
- Espécie: Capsicum chinense. A maior diversidade de pimentas cultivadas no Brasil é dessa espécie, cuja área de maior riqueza é a Bacia Amazônica.
- Origem do tipo biquinho: incerta. A Embrapa considera provável que tenha sido selecionada por produtores do Triângulo Mineiro, onde se concentra a maior produção.
- Fruto: 2,5 a 3,2 cm de comprimento, em forma de triângulo pontudo que forma um “bico”. Verde-claro quando imaturo; vermelho, salmão ou amarelo quando maduro.
- Uso: conservas, aperitivo e até consumo como fruta.
As cultivares da Embrapa
| Característica | BRS Moema | BRS Tui |
|---|---|---|
| Cor do fruto maduro | Vermelho | Laranja-claro (salmão) |
| Altura média da planta | 55 cm | 70 cm |
| Largura média da planta | 1,0 m | 1,0 m |
| Fruto | 2,6 x 1,5 cm; 2,1 g | 3,2 x 1,8 cm |
| Pungência | 100 SHU | 170 SHU |
| Início da colheita | 100 dias após o transplante | 100 dias após o transplante |
| Resistências citadas | Nematoide-das-galhas M. javanica; campo: PepYMV | M. incognita; intermediária a oídio e mancha bacteriana; tolerância a viroses |
| Registro no MAPA | RNC 22493 | RNC 36495 |
No campo, a BRS Moema foi avaliada com 10 mil plantas por hectare e potencial de 18 t/ha. A BRS Tui, com 23 mil plantas por hectare e potencial de 30 t/ha, em 6 meses de colheita.

O que a pesquisa diz sobre o tamanho do vaso
Pesquisadores da Embrapa/Epamig e da UFV cultivaram sete pimentas ornamentais comestíveis, entre elas a variedade Bico, em vasos de 300, 600, 900 e 1.600 mL.
- Quanto maior o vaso, mais frutos, em todos os genótipos.
- Na Bico, a massa fresca de frutos foi de 28,7 g no vaso menor para 112,6 g no maior.
- A Bico foi a mais alta do estudo, com média de 60,81 cm, e a mais tardia para começar a colheita.
- Os frutos da Bico mediram 2,5 a 3,0 cm, aromáticos e sem ardor.
- A recomendação foi o vaso de 1.600 mL para a Bico, o maior testado.
Inferência para a varanda: 1,6 L foi o maior vaso do estudo, pensado para planta ornamental de mesa. As cultivares BRS chegam a 55-70 cm de altura e 1 m de largura no campo. Para colher bastante, um vaso de 10 a 20 litros é mais coerente com esse porte. Veja Como escolher o tamanho do vaso.
Cuidados na varanda (inferência a partir das fontes)
- Sol: o estudo lembra que as pimentas são plantas de sol pleno, mas toleram luz menor. Mais sol, mais frutos.
- Substrato: o estudo usou mistura de solo, esterco, areia, substrato comercial e vermiculita, com adubação de fósforo e potássio.
- Colheita: conte cerca de 100 dias a partir do transplante da muda.
- Oídio: a BRS Tui tem resistência intermediária. Para as outras, fique de olho no pó branco nas folhas.
Conclusão
A pimenta-biquinho é brasileira na espécie, mineira no tipo e quase sem ardor. As cultivares BRS Moema (vermelha) e BRS Tui (salmão) começam a produzir cerca de 100 dias após o transplante. A pesquisa com vasos mostra que mais substrato rende mais frutos. Na varanda, escolha um vaso bem maior que o de enfeite e dê sol.
Fontes
- RIBEIRO, C. S. C. et al. Cultivares de pimentas das espécies Capsicum spp. desenvolvidas pela Embrapa Hortaliças. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2020. 30 p. (Circular Técnica, 172).
- PINTO, C. M. F. et al. Produção e qualidade de pimentas ornamentais comestíveis cultivadas em recipientes de diferentes volumes. Revista Brasileira de Horticultura Ornamental, v. 16, n. 1, p. 113-122, 2010.

