Depois de uma chuva, aparece um caramujo grande, de concha alongada e listrada, nos vasos da varanda térrea ou do quintal. Pode ser o caramujo-africano (Achatina fulica), espécie exótica e invasora que o Ministério da Saúde trata como praga agrícola e risco de saúde pública. Mas atenção: há caramujos nativos parecidos, que não devem ser mortos por engano.
Como este guia foi feito: este texto se baseia na Nota Técnica nº 30/2022 do Ministério da Saúde e no material técnico do Incaper (Espírito Santo), ambos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
Por que ele é um problema
- Come quase tudo: segundo o Incaper, é herbívoro generalista e se alimenta de cerca de 500 espécies de plantas, incluindo hortaliças, banana, abóbora e mamão.
- Reproduz muito: o Ministério da Saúde registra de 2 a 5 posturas por ano, com 50 a 400 ovos cada. O Incaper cita cerca de 400 ovos por ano. É hermafrodita, fica adulto em cerca de 4 meses e vive de 3 a 5 anos.
- Está em todo o Brasil: chegou ao Paraná em 1988. Até 2007 já estava em 24 estados e no Distrito Federal, e estudos recentes confirmam sua presença em todo o território.
- Saúde: é hospedeiro intermediário de vermes do gênero Angiostrongylus, que podem causar meningite eosinofílica e angiostrongilíase abdominal. A nota registra que há poucos casos no Brasil, associados à ingestão acidental do muco do caramujo em verduras e frutas mal lavadas.
- Dengue: conchas vazias acumulam água e podem servir de criadouro do Aedes aegypti.
Não confunda com os caramujos nativos
A nota técnica alerta que espécies nativas dos gêneros Megalobulimus e Thaumastus podem ser confundidas com o africano. E elas são ameaçadas justamente pela espécie invasora. Matar um nativo por engano piora o desequilíbrio.
A nota traz uma figura comparando as conchas. Inferência, a partir dessa comparação: a concha do africano costuma ser mais alongada e pontuda, com listras escuras. Se tiver dúvida, fotografe e procure a vigilância de zoonoses do seu município antes de agir.

O método recomendado: coleta manual
O Ministério da Saúde diz que, por causa dos problemas ambientais dos pesticidas e da salinização, o controle preconizado hoje é a coleta manual de ovos e caramujos. Ela deve ser feita várias vezes ao longo do ano, de preferência antes e depois das chuvas.
- Use luvas, e de preferência botas de borracha. Nunca pegue com a mão nua.
- Recolha caramujos e os ovos semienterrados no substrato, num balde ou saco plástico.
- Esmague os caramujos e os ovos.
- Descarte: a nota descreve valas com cal virgem. Quando a cal não é viável, recomenda deixar o material esmagado de molho por pelo menos 24 horas numa solução de 3 partes de água para 1 de cloro antes de descartar.
- Lave bem as mãos e as ferramentas.
Atenção: sal não é recomendado. A nota cita a salinização entre os métodos abandonados por problemas ambientais. No vaso, o sal ainda prejudica o substrato.
E as iscas com veneno?
O material do Incaper cita iscas de metaldeído e de fosfato férrico, sempre com a orientação de ler a bula. Inferência para varanda: em apartamento com crianças, cães ou gatos, iscas tóxicas no chão são um risco. A coleta manual resolve a maioria dos casos em área pequena. Armadilhas de saco de estopa umedecido com cerveja ou leite e farelo, também citadas pelo Incaper, ajudam a juntar os caramujos à noite para recolher de manhã.
Cuidados com a horta da varanda
- Lave muito bem folhas e frutos colhidos, como orienta a nota técnica.
- Não deixe conchas vazias acumulando água.
- Para lesmas e caracóis pequenos, veja Lesmas e caracóis nos vasos.
- Muda cortada de manhã? Compare os suspeitos em Mudas tombadas de manhã: quem foi?.
Conclusão
O caramujo-africano é invasor, se reproduz muito e pode carregar vermes. O Ministério da Saúde recomenda coleta manual com luvas, esmagamento e descarte com cal ou molho em água com cloro por 24 horas. Antes de recolher, confira se não é um caramujo nativo. Na dúvida, fale com a vigilância de zoonoses do seu município.
Fontes
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Nota Técnica nº 30/2022-CGZV/DEIDT/SVS/MS: manejo, descarte e controle do molusco Achatina fulica no Brasil. 2022.
- QUEIROZ, R. B. Manejo do caramujo africano (Achatina fulica). Vitória: Incaper.

