A planta murcha. Você rega. Ela murcha mais. Quando a terra está molhada e a planta continua caída, o problema provavelmente não é falta de água, é raiz podre. Os principais culpados são micro-organismos chamados oomicetos, dos gêneros Phytophthora e Pythium, que adoram solo encharcado.
Como este guia foi feito: este texto se baseia na Circular Técnica 121 da Embrapa Hortaliças (2013), num trabalho da Embrapa Amazônia Oriental publicado na Fitopatologia Brasileira (1997) e no Documento 455 da mesma unidade sobre podridões em mandioca, todos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
Os sintomas, segundo a Embrapa Hortaliças
Na murcha-de-fitóftora do pimentão (Phytophthora capsici):
- Pode atacar mudas na sementeira, causando tombamento, ou plantas adultas.
- A murcha aparece principalmente nas horas mais quentes do dia.
- No colo (onde o caule encontra o solo) e nas raízes, há podridão úmida. Depois a planta seca e morre.
- Com umidade muito alta, pode surgir um mofo branco sobre ramos e frutos, ou manchas encharcadas.
Nas cucurbitáceas, a podridão-de-raízes pela mesma espécie ataca o colo das mudas, com mofo branco-acinzentado, e causa podridão aquosa nos frutos encostados no solo.
O quanto é rápido
A Embrapa Amazônia Oriental testou isolados tirados de raízes podres de mandioca em mudas de 2 meses. Phytophthora e Pythium mataram todas as plantas em uma semana. Já Fusarium e Rhizoctonia, isolados das mesmas raízes, não causaram infecção em 15 dias. A conclusão foi que, ali, esses dois gêneros eram os únicos causadores da podridão mole.

A causa por trás: água demais
O Documento 455 da Embrapa aponta o encharcamento prolongado ou frequente como a condição que favorece a podridão. No campo, as soluções são solos bem drenados e o plantio em camalhão (leira elevada), que mantém as raízes acima da zona encharcada.
Tradução para o vaso (inferência): o “camalhão” da varanda é substrato drenante, vaso com furo e nada de prato com água parada embaixo.
Diagnóstico no vaso: passo a passo (inferência a partir das fontes)
- Toque o substrato. Murcha com terra úmida ou encharcada é suspeita.
- Olhe o colo. Escuro, mole ou “molhado” na base do caule indica podridão.
- Tire a planta do vaso. Raiz sadia é firme e clara. Raiz podre é escura, mole, solta a casca ao puxar e pode cheirar mal.
- Murcha só no meio do dia, recuperando à noite, combina com o sintoma descrito pela Embrapa.
- Descarte o óbvio: terra seca é falta de água. Veja Excesso ou falta de água?.
O que fazer (inferência)
- Pouca raiz afetada: corte as partes podres com tesoura limpa, troque o substrato por um novo e drenante e regue menos.
- Colo podre: a recuperação é difícil. Se possível, faça estacas das partes sadias. Veja Miniestufa de garrafa PET.
- Não reutilize o substrato da planta doente em outras plantas.
- Lave e desinfete o vaso.
- Prevenção: furos no fundo, substrato que escorre e sem prato com água. Veja Substrato drenante para plantas nativas em vasos e Prato com água embaixo do vaso.
Conclusão
Planta murcha com a terra molhada, principalmente nas horas quentes, com o colo escuro e mole, aponta para podridão de raiz por Phytophthora ou Pythium. Na mandioca, esses oomicetos mataram mudas em uma semana, e a Embrapa liga a doença ao encharcamento. No vaso, a prevenção é drenagem, e o tratamento é cortar o que apodreceu, trocar o substrato e regar menos.
Fontes
- PEREIRA, R. B.; CARVALHO, A. D. F.; PINHEIRO, J. B. Diagnose e controle alternativo de doenças em tomate, pimentão, cucurbitáceas e cenoura. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2013. (Circular Técnica, 121).
- POLTRONIERI, L. S. et al. Patógenos associados a podridão mole de raízes de mandioca no estado do Pará. Fitopatologia Brasileira, v. 22, n. 1, 1997. Embrapa Amazônia Oriental.
- EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL. Podridões em raízes de mandioca: problemas e soluções para o seu controle. Belém. (Documentos, 455).

