Você rega o vaso e sobe uma nuvem de mosquinhas pretas, que parecem pernilongos em miniatura. Na maioria das vezes é a mosca-dos-fungos, do gênero Bradysia, também chamada de fungus gnat ou bradísia. O adulto incomoda, mas não pica. O problema está na terra: as larvas.
Como este guia foi feito: este texto se baseia no Manual de pragas do antúrio da Embrapa Agroindústria Tropical (2008) e num comunicado técnico da Embrapa Florestas sobre sciarídeos (2013), ambos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
Como confirmar
- Adulto: mosca diminuta, com cerca de 3 mm, antenas e pernas longas, muito parecida com um pernilongo.
- Onde põe os ovos: no solo úmido e sombreado. As larvas eclodem em cerca de 7 dias.
- Larva: vermiforme, de até 6 mm, e vira pupa no próprio solo.
- Ciclo completo: cerca de 30 dias, variando alguns dias com temperatura e umidade (Embrapa Florestas). Os ciclos se sobrepõem, o que faz a população explodir.
Teste caseiro (inferência): coloque uma rodela de batata crua sobre a terra por um dia e vire. Larvas pequenas e transparentes de cabeça escura grudadas na batata confirmam a suspeita.
Ela faz mal à planta?
Normalmente, as larvas de Bradysia comem os fungos do solo, daí o nome. Mas a Embrapa descreve o caso dos vasos com substrato não tratado: pode haver superpopulação de larvas, que passam a comer as radicelas das mudas recém-transplantadas. A planta murcha e pode morrer, e as feridas nas raízes podem ser invadidas por fungos e bactérias oportunistas.
Em resumo: em planta adulta e vigorosa, é mais incômodo que dano. Em muda nova, estaca e sementeira, é risco real.

O que fazer, segundo a Embrapa
O manual do antúrio registra que não há inseticida registrado no Ministério da Agricultura para essa praga no antúrio, e que vários produtos testados no exterior causaram fitotoxicidade. A recomendação é a prevenção:
- Evitar irrigação em excesso: “a umidade é o fator primordial para o desenvolvimento das larvas”.
- Substrato tratado, por solarização ou autoclavagem, e guardado em local seco e coberto até o uso.
- Armadilhas adesivas amarelas sobre os vasos, para capturar os adultos.
- Descartar substratos e vasos muito contaminados.
- Não acumular matéria orgânica em decomposição, como esterco e húmus de minhoca, perto das mudas.
- Controle biológico: ácaros predadores de solo e nematoides do gênero Steinernema são inimigos naturais importantes.
Na varanda (inferência)
- Deixe secar a camada de cima do substrato entre as regas. É a medida mais barata e a que mais funciona. Veja Excesso ou falta de água?.
- Prato com água parada mantém a terra encharcada. Veja Prato com água embaixo do vaso.
- Cobertura de areia grossa de 1 a 2 cm sobre o substrato seca rápido e dificulta a postura.
- Composto mal curado atrai a mosca. Confira se o seu está pronto em Como saber se o composto orgânico está pronto.
- Saco de substrato aberto na área de serviço úmida vira berçário. Feche e guarde em local seco.
Conclusão
Mosquinhas pretas de 3 mm saindo do vaso são, quase sempre, a mosca-dos-fungos. A larva vive de fungos no substrato úmido, mas, em excesso, ataca raízes de mudas. A Embrapa aponta a umidade como fator primordial: menos rega, substrato seco por cima, armadilha amarela e substrato limpo resolvem a maior parte dos casos.
Fontes
- GUIMARÃES, J. A. et al. Manual de reconhecimento e controle das principais pragas do antúrio no estado do Ceará. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2008. (Documentos, 114).
- SCHÜHLI, G. S. et al. Medidas contingenciais para o controle de sciarídeos (moscas-dos-cogumelos) em pátios de toras de pínus. Colombo: Embrapa Florestas, 2013. (Comunicado Técnico, 315).

