O mangarito é uma daquelas hortaliças que o Brasil esqueceu. Nativo da Mata Atlântica, ele já era comido pelos indígenas antes da chegada dos europeus e foi registrado por cronistas coloniais. Hoje, segundo a Embrapa Hortaliças, seus pequenos rizomas são procurados pela alta gastronomia. E a época de plantio é agora: de setembro a dezembro.
Como este guia foi feito: este texto se baseia no folder Mangarito da Embrapa Hortaliças (2017) e na publicação Hortaliças não-convencionais (tradicionais) do Ministério da Agricultura (2010), ambos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Não há relato de experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.
Quem é o mangarito
- Nome científico: Xanthosoma riedelianum, família Araceae, a mesma da taioba.
- Nomes populares: mangará, taiaó (guarani).
- Origem: nativo do Brasil, ocorre no sub-bosque da Mata Atlântica.
- Porte: até 60 cm, sem caule, com folhas delicadas que secam no inverno ou na seca.
- Rizomas: às dezenas, de até 8 cm, com polpa do amarelo intenso ao amarelo claro, e também clones arroxeados.
Uma hortaliça com 400 anos de registro
A Embrapa conta que o mangarito foi mencionado por Gabriel Soares de Sousa, no Tratado Descritivo do Brasil, de 1587, e pelo jesuíta Fernão Cardim, no Tratado da Terra e Gente do Brasil, de 1625. Também aparece numa receita de ensopado em O Cozinheiro Nacional, o segundo livro de culinária publicado no Brasil. Foi muito consumido no café da manhã, cozido ou assado com melado, e caiu em desuso com a mudança dos hábitos.

Como plantar, segundo a Embrapa
| Item | Recomendação |
|---|---|
| Época | Setembro a dezembro, no início das chuvas |
| O que plantar | Rizomas de 1 a 2 cm, de preferência já brotados. Os maiores ficam para comer. |
| Solo | Leve, bem drenado e rico em matéria orgânica |
| Espaçamento em canteiro | 25 a 40 cm entre plantas |
| Espaçamento em leiras | 50 a 60 cm entre leiras e 30 cm entre plantas |
| Tratos | Capinas, irrigação quando necessário e duas adubações de cobertura |
| Colheita | 150 a 210 dias, quando a parte aérea praticamente desaparece |
| Produção | Até 0,5 kg por planta |
Um detalhe útil: plantios tardios com espaçamento menor produzem menos rizomas, porém maiores.
No prato
- Rizomas: energéticos, com cerca de 20% de fécula no produto fresco e bom teor de carotenoides, sobretudo nos de polpa amarelo intenso. Usados como batata ou mandioca: cozidos, fritos, em purê, sopas e assados.
- Folhas: comestíveis enquanto tenras, sempre bem refogadas ou cozidas, como a Taioba em vaso.
- Conservação: 3 a 4 meses em local arejado. Depois os rizomas desidratam e brotam.
Receita do folder da Embrapa: cozinhe 10 rizomas (300 a 400 g) por 5 a 10 minutos, corte e doure na manteiga com sal, salsa, orégano e cebolinha.
Na varanda (inferência)
- Vaso largo e fundo o bastante para os rizomas, com 25 a 30 cm entre plantas, como no canteiro.
- Meia-sombra: a planta vive no sub-bosque da mata. Veja Espécies nativas para meia-sombra.
- Não se assuste no inverno: as folhas secam, e esse é justamente o sinal de colheita.
- Guarde os rizomas pequenos para o próximo plantio, em setembro.
Conclusão
O mangarito é uma hortaliça nativa da Mata Atlântica, registrada desde 1587, que volta à mesa pela gastronomia. Planta-se de setembro a dezembro, com rizomas de 1 a 2 cm, e colhe-se de 150 a 210 dias depois, quando as folhas somem. Em vaso largo e meia-sombra, é uma das PANC mais brasileiras que existem.
Fontes
- BOTREL, N.; MADEIRA, N. R.; MELO, R. A. C.; AMARO, G. B. Mangarito. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2017. Folder (Hortaliças tradicionais).
- BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Hortaliças não-convencionais (tradicionais). Brasília: MAPA, 2010.

