Quase toda varanda tem, ou já teve, um vaso de hortelã. É aquela planta que a gente compra por impulso, coloca no sol e, meses depois, descobre que ela dominou o vaso inteiro. O que pouca gente sabe é que “hortelã” é um nome que cobre plantas bem diferentes, e que a hortelã-japonesa e a hortelã-pimenta, as duas de maior interesse econômico no mundo, têm jeitos próprios de crescer.
Este guia reúne o que duas fichas da Embrapa Rondônia dizem sobre cada uma e mostra como isso se traduz para o vaso e para a torre de plantio.
Um aviso de método. As duas fichas fazem parte da série “Plantas Medicinais” da Embrapa Rondônia, de dezembro de 2001, e tratam de cultivo em canteiro. Quando o texto adapta algo para vaso ou torre, isso está marcado como inferência. E este artigo não substitui orientação médica.
Uma observação sobre este site: nenhuma das duas é nativa
A Varanda Nativa é dedicada a plantas nativas, e vale ser transparente: nenhuma das duas hortelãs é nativa do Brasil. Segundo a Embrapa, a hortelã-japonesa tem origem no Japão, e a hortelã-pimenta é originária da Europa, trazida ao Brasil no período da colonização. Elas entram aqui porque estão em quase toda varanda e porque a dúvida sobre qual é qual é muito comum. Para entender por que “nativa”, “naturalizada” e “exótica” não são a mesma coisa, veja planta nativa, endêmica ou naturalizada: qual é a diferença.
Quem é quem

Hortelã-japonesa (Mentha arvensis L. var. piperascens Holmes), da família Lamiaceae. Entre os nomes populares, a ficha registra “Vick” e “hortelã do Brasil”. É uma erva rizomatosa e estolonífera, de caule quadrangular, folhas opostas, ovaladas e serradas, e flores violáceas reunidas em espiga terminal. O óleo essencial é rico em levomentol (65 a 75%).
Hortelã-pimenta (Mentha × piperita L.). Os nomes populares incluem hortelãzinho, hortelã de panela, hortelã de cheiro, hortelã da folha miúda, hortelã da horta e hortelã comum. A Embrapa a descreve como um híbrido, provavelmente do cruzamento de Mentha spicata, M. aquatica, M. longifolia e M. rotundifolia. Tem de 30 a 60 cm de altura, folhas oval-lanceoladas, serradas, de verde-escuras a roxo-purpúreas e ligeiramente aveludadas. O óleo essencial (0,7 a 3% da planta) tem mentol de 30 a 55%.
Na prática, para diferenciar na varanda: a ficha da pimenta destaca as folhas aveludadas e a cor que vai do verde-escuro ao arroxeado, e a da japonesa o caule quadrangular com folhas opostas. As duas têm caule quadrangular e flores violáceas em espiga, então olhar só uma característica não resolve. O mais confiável é comprar a muda com o nome científico na etiqueta.
O que as fichas dizem sobre o cultivo
Hortelã-japonesa:
- multiplica-se pelos ramos ou por estaquia dos rizomas;
- plante as mudas diretamente ou no saquinho, a 30 × 30 cm, em canteiros que recebam bastante luz;
- use adubo orgânico;
- os canteiros devem ser renovados de duas a três vezes por ano ou depois da floração;
- a colheita é feita logo após a floração, aproveitando os rizomas para novos plantios.
Hortelã-pimenta:
- propaga-se por rizomas de cerca de 10 cm, plantados no fim das chuvas, com espaçamento de 0,6 × 0,3 m;
- a colheita das folhas começa a partir do quarto mês de plantio;
- como produz óleo essencial, recomenda-se colher bem cedo ou à noite, para não perder óleo;
- a secagem é à sombra ou em secador a no máximo 40 °C;
- em períodos de dias longos e noites curtas, a planta rende mais óleo, mas com mais mentofurano; as noites frias favorecem o mentol.
A regra que muda o jeito de montar a torre
A ficha da hortelã-pimenta traz um alerta que costuma passar despercebido: existem cerca de 25 espécies do gênero Mentha, e, dada a facilidade de hibridação, não se recomenda cultivar diversas espécies de hortelã na mesma área.
A fonte fala de áreas de cultivo, não de varanda. Mas a lógica pede cuidado: não misture hortelã-japonesa e hortelã-pimenta na mesma torre. Se quiser as duas, use uma torre ou um vaso para cada uma, e anote qual é qual. Essa adaptação é uma inferência deste guia.

Como adaptar para vaso e torre (inferência)
As fichas não falam de torre de plantio, então o que segue é uma sugestão deste guia, apoiada no que a fonte diz sobre luz, adubo e renovação:
- Luz: a ficha da japonesa pede canteiros com bastante luz. Em varanda, isso sugere um ponto com boa claridade. Se você não sabe quantas horas de sol direto chegam ao seu canto, veja como medir horas de sol na varanda.
- Substrato: as fichas recomendam adubo orgânico. Uma mistura com matéria orgânica, que segure umidade e drene bem, é uma boa base. Veja substrato drenante para plantas em vasos.
- Torre: um tubo de PVC com furos laterais, com um tubo central perfurado para levar água às partes de baixo, e uma muda em cada furo. O espaçamento entre as mudas não vem da fonte; a japonesa pede 30 × 30 cm em canteiro, então não encha a torre de furos. Como ponto de partida, de 25 a 30 cm de distância entre eles.
- Rega: a fonte não fala de rega, mas torres secam mais rápido que vasos e tendem a ressecar mais embaixo ou mais em cima. Observe a terra antes de regar, como mostramos em excesso ou falta de água? Como observar os sinais antes de mudar a rega.
- Renovação: a ficha da japonesa manda renovar os canteiros duas a três vezes por ano ou depois da floração. Numa torre, isso sugere renovar as mudas a partir dos rizomas, em vez de insistir na mesma planta cansada.
- Colheita: corte cedo pela manhã, como a ficha da pimenta recomenda para preservar o óleo.
Usos e cuidados com a saúde
As fichas listam usos tradicionais. Para a japonesa, a Embrapa registra o uso como descongestionante nasal, na eliminação de gases e como sedativo do estômago, contra náuseas; o chá é preparado com 4 a 6 folhas frescas em uma xícara de água fervente. A ficha da pimenta lista indicações para distúrbios gastrintestinais, gases e problemas respiratórios, entre outras. Não reproduzimos aqui doses nem receitas medicinais, porque as fichas têm mais de 20 anos e este site não faz orientação de saúde.
Dois avisos que a própria Embrapa faz: o uso da essência é contraindicado para bebês, e pessoas com cálculos biliares só devem usar a planta com aconselhamento médico. A ficha também cita o mentofurano, que ela descreve como de ação hepatotóxica. Em caso de dúvida, procure um profissional de saúde.
Perguntas frequentes
Posso plantar hortelã-japonesa e hortelã-pimenta no mesmo vaso?
A Embrapa não recomenda cultivar diversas espécies de hortelã na mesma área, por causa da facilidade de hibridação. O mais seguro é separar.
E a “hortelã-canadense”?
O nome não aparece nas fichas da Embrapa. Ele é usado comercialmente para algumas plantas do gênero Mentha, e a Mentha canadensis é uma espécie norte-americana. Ao comprar, peça o nome científico, porque o nome popular varia de loja para loja.
Quando colher?
Segundo as fichas, a japonesa logo após a floração, e a pimenta a partir do quarto mês de plantio, bem cedo ou à noite.
Como secar as folhas?
A Embrapa recomenda secar à sombra ou em secador a no máximo 40 °C.
Fontes
- Embrapa Rondônia. Hortelã-japonesa (Mentha arvensis L. var. piperascens Holmes). Folder 08, série Plantas Medicinais. Informação técnica: Vanda Gorete Souza Rodrigues e Dorila Silva de Oliveira Mota Gonzaga. Porto Velho, dezembro de 2001.
- Embrapa Rondônia. Hortelã-pimenta (Mentha × piperita L.). Folder 09, série Plantas Medicinais. Informação técnica: Vanda Gorete Souza Rodrigues e Dorila Silva de Oliveira Mota Gonzaga. Porto Velho, dezembro de 2001.

