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Grama-amendoim (Arachis pintoi): a forração endêmica do Brasil que floresce o ano todo e enterra os próprios frutos

A grama-amendoim (Arachis pintoi) é endêmica do Brasil, segundo a Flora e Funga do Brasil. Floresce o ano todo, enterra os frutos e cobre o solo entre 90 e 120 dias. Veja o que a Embrapa sabe dela.

Forração de grama-amendoim (Arachis pintoi) com flores amarelas

A grama-amendoim não é grama. É uma leguminosa, parente do amendoim de comer, e é uma das poucas forrações de paisagismo que são endêmicas do Brasil: a Arachis pintoi só ocorre naturalmente aqui. Ela aparece nas listas de tendências de 2026 como alternativa ao gramado, para quem quer cobrir o solo com pouca manutenção. A Embrapa estuda a espécie há décadas, sobretudo como forrageira.

Como este guia foi feito: este texto se baseia no Sistema de Produção de sementes de BRS Mandobi da Embrapa Acre, no folder da cultivar BRS Mandobi e na ficha da espécie na Flora e Funga do Brasil (JBRJ), todos lidos na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Ninguém da equipe está relatando uma experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.

Identidade da planta

  • Nome científico: Arachis pintoi Krapov. & W.C.Greg., família Fabaceae.
  • Status: nativa e endêmica do Brasil, segundo a Flora e Funga do Brasil. A Embrapa descreve a espécie como “exclusiva da flora brasileira”, do Planalto Central, em Goiás, ao litoral da Bahia.
  • Biomas: Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga.
  • Estados com registro na Flora e Funga do Brasil: AC, BA, CE, DF, GO, MG, MS, MT, PE, PR, RJ, RS, SC e SP.
  • Hábito: erva perene e estolonífera: os ramos rastejam e soltam raízes nos nós que tocam o solo úmido.
  • Flores: amarelas, nas axilas das folhas.

Quer entender a diferença entre nativa e endêmica? Veja Planta nativa, endêmica ou naturalizada.

A curiosidade: o fruto nasce embaixo da terra

O que diferencia o gênero Arachis é a produção subterrânea de frutos originários de flores aéreas. Depois da fecundação, a base do ovário cresce num pedúnculo chamado peg, que se curva e entra no solo. O fruto se forma enterrado.

  • Os botões aparecem de 36 a 48 horas antes de a flor abrir.
  • Normalmente só uma flor por inflorescência se abre por dia.
  • A fecundação ocorre cerca de 12 horas depois da polinização.
  • O florescimento é indeterminado e contínuo, e não depende do fotoperíodo, a duração do dia.

A Embrapa avisa que os pegs morrem se encontram solo duro ou quente. Inferência: em floreira, substrato solto e coberto pela própria folhagem ajuda a planta a formar frutos e a se renovar.

Folhas e flor amarela de Arachis pintoi de perto
Foto: Ethel Aardvark / Wikimedia Commons, CC BY 3.0. página da foto.

Cultivares registradas

Cultivar O que as fontes dizem
BRS Mandobi Selecionada pela Embrapa Acre e registrada em 2008 no Registro Nacional de Cultivares. Propagada por sementes, com altura de 20 a 35 cm e cerca de 6.500 sementes por kg. Tolera encharcamento e tem boa resistência ao fogo.
Belmonte Lançada pela Ceplac em 1999. Propagada por mudas e estolões, porque produz poucas sementes.
Amarillo Citada pela Embrapa. O crescimento é maximizado em solo com pH acima de 5,4.

Números úteis para quem quer forrar

  • Cobertura total do solo: entre 90 e 120 dias após o plantio, nas condições de Rio Branco (AC), com o estande a 8-10 cm de altura.
  • Crescimento inicial lento: a Embrapa recomenda pelo menos 12 a 14 plantas por m² para acelerar a cobertura.
  • Época de plantio no Acre: outubro e novembro, no início das chuvas. Plantios de dezembro a fevereiro sofreram com excesso de umidade.
  • Semeadura: 3 a 5 cm de profundidade.
  • Fósforo: a falta dele atrasa o florescimento e reduz os frutos.
  • Usos já registrados: pasto, conservação de solo em taludes e beiras de estrada e planta ornamental em praças e jardins.

Você sabia? Como leguminosa, a grama-amendoim forma nódulos que fixam nitrogênio do ar. A Embrapa relata nódulos fixadores nas raízes mesmo com sementes não inoculadas, em diferentes regiões.

Na varanda (inferência)

  • Floreira larga e rasa, de 15 a 20 cm de profundidade, é suficiente para uma forração estolonífera.
  • Sol pleno ou meia-sombra clara. Escolha a posição com a ajuda de Plantas nativas para varanda de sol pleno.
  • Debaixo de vasos maiores: como forração viva, cobre o substrato de frutíferas em vasos grandes e reduz a terra exposta.
  • Rega regular no começo, até os estolões enraizarem.
  • Pisoteio: a espécie aguenta pastejo intenso porque os pontos de crescimento ficam rentes ao chão. Isso sugere que tolera podas baixas.

Conclusão

A grama-amendoim une três coisas raras numa forração: é endêmica do Brasil, floresce sem parar e cobre o solo em três a quatro meses. A ciência vem da pecuária, mas a Embrapa já registra o uso ornamental. Para a varanda, comece por mudas da cultivar Belmonte ou por sementes de BRS Mandobi, em substrato solto, com sol e rega no início.

Fontes

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Equipe Varanda Nativa

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