Plantas nativas brasileiras para varandas e apartamentosGuias com fonte citada • leitura gratuita

Hotel de abelhas na varanda: diâmetro, comprimento e altura dos ninhos-armadilhas segundo a pesquisa brasileira

Furos de 4,7 a 25 mm, ninhos de mais de 5 cm, sombra a 26-27 °C e plantas que produzem óleo nas flores. Veja o que a pesquisa da Embrapa e de universidades diz sobre hotéis para abelhas solitárias.

Hotel de abelhas de madeira com bambus e furos, preso à parede de uma varanda

O hotel de abelhas virou tendência em varandas e jardins, no Brasil e fora dele. A ideia é oferecer cavidades prontas para abelhas solitárias, que não vivem em colmeia nem produzem mel, mas polinizam muitas plantas. Montar um que funcione depende de detalhes: diâmetro do furo, comprimento, sombra e as plantas em volta.

Como este guia foi feito: este texto se baseia no capítulo de Patrícia Maria Drumond (Embrapa Meio-Norte), Elder Ferreira Morato (UFAC) e Gisele Garcia Azevedo (UFMA), publicado em 2023 pela UFV e lido na íntegra. O que é adaptação para varanda aparece marcado como inferência. Ninguém da equipe está relatando uma experiência própria aqui: os números vêm das fontes listadas no fim.

Quem ocupa um hotel de abelhas

O capítulo trata das abelhas do gênero Centris, importantes polinizadoras de plantas nativas e exóticas. As fêmeas constroem e abastecem o ninho sozinhas, sem divisão de trabalho, e normalmente morrem antes de os filhos nascerem.

Algumas espécies não escavam: dependem de buracos prontos em barrancos, bambu ou madeira. As dos subgêneros Heterocentris e Hemisiella também aceitam cavidades artificiais, chamadas de ninhos-armadilhas, “hotel de abelhas” ou “condomínio de abelhas”. Entre as espécies brasileiras citadas estão Centris analis, C. tarsata e C. dichrootricha.

Esses ninhos também atraem vespas solitárias, que fazem parte do mesmo grupo de insetos.

Materiais: madeira primeiro

  • Os ninhos podem ser de bambu, cartolina, isopor, papel, plástico, madeira ou vidro.
  • Os de madeira parecem ser os mais atrativos. Os de bambu, mais atrativos que os de cartolina.
  • Na Amazônia, os autores não recomendam cartolina, papel, bambu ou plástico, porque a umidade estraga o material e favorece fungos.
  • Uma ponta fica fechada. O modelo de madeira mais comum usa duas peças com o furo no meio, unidas com fita.
  • Em estudos com cartolina, a cor usada foi sempre preta, provavelmente para bloquear a luz.

As medidas que a pesquisa registrou

Item O que o capítulo relata
Diâmetro do furo Centris foram vistas em ninhos de 4,7 a 25 mm. Fêmeas maiores tendem a usar furos maiores.
Diâmetro preferido de uma espécie C. bicornuta preferiu 8 mm, medida que a abelha parasita Coelioxys chichimeca evitou.
Comprimento Em C. analis, ninhos de 5 cm tiveram mais morte de larvas do que os de 10, 15 e 20 cm.
Altura A maioria dos estudos instalou os ninhos entre 1 e 2 m do chão. Há registros de ocupação a 9 m e até a 15 m.
Temperatura Sombra com cerca de 26 a 27 °C favorece as larvas. Acima de 38 °C é considerado letal nas fases iniciais.
Cor da entrada Fêmeas de C. analis acharam mais rápido os ninhos de entrada azul do que os de entrada verde.

Os autores avisam que não existe um modelo ideal. A recomendação geral é misturar materiais, tamanhos e diâmetros, em alturas e arranjos diferentes.

Detalhe de hotel de insetos com tubos e furos de diâmetros diferentes
Foto: ThatIlja / Wikimedia Commons, CC0. página da foto.

Como montar na varanda (inferência a partir do capítulo)

  1. Bloco de madeira sem tratamento químico, com furos de diâmetros variados entre 5 e 12 mm e pelo menos 10 cm de profundidade.
  2. Fundo fechado e furos sem farpas.
  3. Sombra. Varanda com sol da tarde direto no bloco pode passar dos 38 °C. Veja por que em Sol da tarde na varanda.
  4. Proteção da chuva: segundo o capítulo, quanto mais chuva, menos ninhos são fundados.
  5. Altura de 1 a 2 m, bem fixo, sem balançar.
  6. Entradas pintadas de azul são um teste interessante, a partir do resultado com C. analis.
  7. Não manusear os tubos ocupados. O ovo fica sobre o néctar; se o ninho for virado, ele pode afundar e morrer.

Atenção: aranhas, formigas, cupins, grilos e até pererecas também ocupam ninhos-armadilhas. Vistorie de tempos em tempos, só olhando, sem abrir os tubos já fechados pelas abelhas.

O detalhe que quase todo hotel esquece: as plantas de óleo

Além de pólen e néctar, as Centris precisam de flores que produzem óleo, como as da família Malpighiaceae. Essas flores têm glândulas chamadas elaióforos. O óleo alimenta as larvas, impermeabiliza as paredes das células e fecha o ninho.

Os autores citam que, quanto maior a diversidade de Malpighiaceae, maior a abundância de abelhas da tribo Centridini. Poucas fêmeas buscam recursos a mais de 300 m do ninho. Então a vegetação perto do hotel faz diferença.

Inferência: a acerola e o murici são Malpighiaceae comuns no Brasil. Um vaso grande de acerola perto do hotel é um bom candidato a fonte de óleo. Monte o restante da florada com as ideias de Como montar um jardim para polinizadores em uma varanda pequena.

Conclusão

Um hotel de abelhas funciona quando imita o que as abelhas solitárias procuram. Isso quer dizer madeira, furos de diâmetros variados, profundidade de 10 cm ou mais, sombra abaixo de 38 °C e proteção da chuva. Sem flores de pólen, néctar e, no caso das Centris, de óleo a menos de 300 m, o hotel vira só enfeite de parede.

Fontes

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Equipe Varanda Nativa

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