A feijoa, ou goiabeira-serrana, tem uma das flores mais bonitas entre as frutíferas brasileiras: pétalas brancas por fora e purpúreas por dentro, com cerca de 60 estames vermelhos. E essas pétalas são comestíveis, carnosas e doces. É justamente por isso que pássaros a visitam, e são eles que fazem a polinização.
Um aviso de método: este guia se baseia no documento Espécies frutíferas nativas do Sul do Brasil, da Embrapa Clima Temperado (2004), lido na íntegra. Os dados vêm do banco de germoplasma da Embrapa em Pelotas (RS) e de pomares. O que é adaptação para vaso ou varanda aparece marcado como inferência.
Quem é a feijoa
- Nome científico: Acca sellowiana (Berg) Burret, antiga Feijoa sellowiana, família Myrtaceae.
- Origem: nativa do Uruguai, da Argentina e dos campos do Sul do Brasil.
- Onde ocorre: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em SC, principalmente acima de 800 m de altitude, com mais frequência acima de 1.000 m.
- Porte: árvore pequena com até 5 m, ou arbusto.
- Folhas: verde-escuras em cima e branco-tomentosas embaixo.
Clima: aguenta frio
A Embrapa descreve a feijoa como espécie de clima subtropical que se desenvolve em diversos solos e climas, com relatos de que resistiu a temperaturas abaixo de zero. O cultivo tem mais êxito em solos profundos, férteis e bem drenados.

A polinização por pássaros
A fonte explica que a polinização é feita principalmente por pássaros, que visitam as flores para comer as pétalas e transferem o pólen ao roçar o peito no estigma. São citados sanhaços, sabiás, saíras, gaturamos e tuques. Mamangavas também podem polinizar; a abelha comum é ineficiente nas plantas autoincompatíveis.
Por que isso importa
O estudo de Finardi e colaboradores (2002), com 25 clones, constatou que nos tratamentos de anemofilia (vento), entomofilia (insetos) e agamospermia não houve formação de frutos. Com polinização cruzada manual, a frutificação efetiva foi de 69,6%, 66,0% e 52,0% aos 30, 60 e 90 dias; em polinização livre, caiu para 67,8%, 32,2% e 15,0%.
A flor é protogínica: o estigma fica receptivo 24 horas antes da liberação do pólen, segundo Stewart e Craig (1989). Ducroquet e colaboradores (2000) relatam a existência de clones autocompatíveis, mas a maioria precisa de polinização cruzada.
Na varanda (inferência), isso significa que uma feijoa isolada num andar alto, longe de pássaros, pode florir e frutificar pouco. Veja Como criar pontos de água para aves e insetos na varanda.
Floração e frutificação
- Em Pelotas (RS), floresce de outubro ao fim de novembro, às vezes até a primeira semana de dezembro.
- Do botão visível (estádio fenológico B) até a flor aberta (F2) leva em média 30 dias, segundo a escala de Ducroquet e Hickel (1991) aplicada pela Embrapa.
- Em Videira (SC), a maturação vai do fim de fevereiro ao início de junho, variando muito entre clones.
Colheita e conservação
O ponto de colheita é quando a epiderme passa de verde-escuro para verde-claro, ou quando a fruta se desprende fácil. É uma fruta climatérica: a produção de etileno vai de 0,1–0,4 a 40–50 µL/kg·h a 20 °C. Conserva por 4 a 5 semanas a 5 °C ± 1 °C, com 90% a 95% de umidade relativa. Pomares usam espaçamento de 4 × 4 m ou 5 × 5 m (625 ou 400 plantas por hectare), com mudas de torrão de 60 a 80 cm.
O principal problema: antracnose
Em Pelotas, a feijoa se mostrou muito suscetível à antracnose, que em alguns anos causou queda quase total dos frutos. A mosca-das-frutas também ataca.
Conclusão
A feijoa é das nativas mais interessantes para regiões frias: aguenta geada, tem porte contido e flores comestíveis. O limite é a polinização, que depende de pássaros, e a antracnose em anos úmidos.
Perguntas frequentes
As pétalas da feijoa são comestíveis?
Sim. A Embrapa as descreve como carnosas, doces e de paladar agradável.
Por que minha feijoa floresce e não frutifica?
Pode ser falta de polinizador. Sem pássaros ou mamangavas, a frutificação cai muito.
Aguenta geada?
Há relatos de que resistiu a temperaturas abaixo de zero.

