O nome não ajuda, e o cheiro também não: um dos apelidos é “erva-fedorenta”. Mas o cravo-de-defunto Tagetes minuta é uma planta brasileira com uma característica valiosa para quem cultiva em vaso: suas raízes liberam no solo substâncias que destroem nematoides, vermes microscópicos que atacam raízes de muitas plantas.
Um aviso de método: este guia se baseia no documento Cultivo de plantas aromáticas, da Embrapa Agroindústria Tropical (2017), lido na íntegra, que descreve cultivo em canteiro e no horto da Embrapa em Fortaleza. O que é adaptação para vaso aparece marcado como inferência. Este site não faz orientação de saúde.
Qual cravo-de-defunto é este
Existem várias espécies chamadas de cravo-de-defunto. Este guia trata da Tagetes minuta L., família Asteraceae, que a Embrapa descreve como planta nativa da América do Sul, incluindo todo o território brasileiro, considerada erva ornamental em alguns estados. Nomes populares: cravo-de-defunto, erva-fedorenta, alfinete-do-mato e cravo-bravo.
É um subarbusto anual, pouco ereto, ramificado e de cheiro forte, com cerca de 1 m de altura. As folhas são compostas, com 3 a 9 folíolos glandulosos. As flores são pequenos capítulos amarelos ou laranja, às vezes amarronzados ou avermelhados, em pedúnculos de até 15 cm. As sementes são pretas.
No comércio, “cravo-de-defunto” também é o nome de outras Tagetes ornamentais, de flores grandes. Para ter esta espécie, procure pelo nome científico.
Por que interessa a quem cultiva em vaso
Segundo a Embrapa, as raízes do cravo-de-defunto liberam no solo substâncias que destroem várias espécies de nematoides prejudiciais a diversas culturas. A fonte também registra que o óleo essencial tem atividade larvicida contra o mosquito vetor da dengue, em estudos de laboratório.
Outra publicação da Embrapa, sobre hortas urbanas, cita o cravo-de-defunto entre as plantas repelentes de insetos sugadores. Esse tema terá um guia próprio aqui no site nos próximos dias.
Na varanda (inferência): o efeito contra nematoides acontece no solo onde as raízes crescem. Um vaso de cravo-de-defunto ao lado de outro não protege o vizinho. Faz mais sentido cultivá-lo junto, no mesmo vaso grande ou jardineira, ou numa rotação com a terra de um vaso que teve problema.

Mudas: só por semente
A Embrapa diz que ele se multiplica apenas por sementes. O método do horto:
- semear em bandeja de 200 células (18 mL cada), com três sementes por célula;
- a germinação acontece entre 3 e 4 dias;
- depois, deixar uma plântula por célula;
- irrigar à mão, conforme a necessidade;
- com 30 dias, as mudas estão prontas para o local definitivo.
Plantio e floração
- canteiros adubados com 5 kg/m² de esterco bovino curtido;
- espaçamento de 0,30 m entre fileiras e 0,30 m entre plantas;
- a floração ocorre cerca de 90 dias após o plantio, e é quando começa a colheita. A tabela de produção do mesmo documento indica colheita a partir de 60 dias; a diferença aparece na própria fonte.
Em vaso (inferência): o espaçamento de 30 cm sugere uma planta por vaso médio. Como é anual, guarde sementes das flores secas para o próximo ciclo.
Usos
A fonte registra usos tradicionais da parte aérea para problemas digestivos. Este site não faz orientação de saúde: converse com um profissional antes de qualquer uso medicinal.
Perguntas frequentes
Todo cravo-de-defunto combate nematoides?
Este guia trata da Tagetes minuta, que é a espécie descrita pela Embrapa. Outras Tagetes podem ter comportamento diferente.
Dá para fazer muda por estaca?
Não. A Embrapa diz que ele se multiplica apenas por sementes.
Quanto tempo até florir?
Cerca de 90 dias após o plantio.

