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Vinagreira: a planta do arroz de cuxá, patrimônio imaterial do Brasil, e como cultivá-la

A vinagreira (Hibiscus sabdariffa) é a base do arroz de cuxá maranhense. Veja a história registrada pela Embrapa, o cultivo de setembro a abril em regiões frias e a colheita de folhas e cálices.

Cálices vermelhos de vinagreira

No Maranhão, a vinagreira não é só uma hortaliça: é a base do arroz de cuxá, o prato mais conhecido da culinária maranhense. As folhas têm sabor levemente ácido, e os cálices vermelhos viram chás, sucos e geleias de cor intensa. É um arbusto grande, mas dá para pensar num projeto de varanda com ela.

Um aviso de método: este guia se baseia numa ficha técnica da Embrapa Hortaliças, lida na íntegra, que descreve o cultivo em canteiro e em campo. Quando o texto adapta algo para vaso ou varanda, isso aparece marcado como inferência, e não como dado da fonte.

Quem é

Hibiscus sabdariffa, família Malvaceae, a mesma do quiabo e do algodão, originária da África. Arbusto ereto e vigoroso que pode chegar a 3 m, com caule arroxeado, folhas dentadas de 5 a 12 cm com nervuras geralmente púrpuras e flores de cálice carnoso roxo e corola amarela de centro roxo. Nomes populares: cuxá, hibisco, rosela, groselha, quiabo-azedo e quiabo-de-angola.

Uma história registrada pela Embrapa

A ficha conta que, desde 2000, a vinagreira é reconhecida como bem do Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, como ingrediente básico do arroz de cuxá. E reproduz uma das hipóteses sobre sua popularização, dos estudos do pesquisador norte-americano Walter Hawthorne: no século 18, trabalhadores escravizados vindos da Guiné, do grupo chamado Mandinga, levados ao Grão-Pará e Maranhão, cultivavam e comiam a planta, que em suas origens africanas era chamada kutxá. Com o tempo, camarão e arroz entraram no prato, que virou o cuxá maranhense. A própria ficha apresenta isso como uma das especulações sobre a origem do nome.

Flor da vinagreira
Foto: Horacio Cambeiro / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. página da foto.

Plantio

  • propagação por sementes; o enraizamento de estacas é fácil na fase vegetativa, antes da floração;
  • plantio direto ou em bandejas, transplantando quando as mudas têm cerca de 15 cm;
  • em regiões tropicais e equatoriais, o ano inteiro, com água disponível;
  • em regiões subtropicais ou tropicais de altitude, só na época quente, de setembro a abril;
  • espaçamento de 1,0 a 1,5 m entre plantas.

Na varanda (inferência): é uma planta de vaso grande e de canto amplo, por causa do porte. Podas frequentes para colher folhas ajudam a manter o tamanho, mas aí ela demora mais a dar cálices.

Colheita: folha ou cálice

  • Folhas: entre 60 e 90 dias após o plantio, cortando ramos de 30 a 50 cm.
  • Cálices: deixar a planta chegar à floração, a partir de 150 dias.

Conservação e uso

As folhas duram 4 a 6 dias a 5 °C em embalagem plástica. Os cálices, frescos ou secos, dão doces, sucos, geleias e chás de cor vermelha atraente, por serem ricos em antocianinas. As sementes maduras podem ser torradas ou moídas para pães. A receita da ficha é um arroz de vinagreira: quatro folhas batidas com duas xícaras de água, juntadas a uma xícara de arroz refogado com cebola e alho, cozido por 25 minutos.

Perguntas frequentes

Vinagreira é o mesmo que hibisco?
Hibisco é um dos nomes populares da vinagreira na ficha, mas o nome também é usado para outras espécies ornamentais. Confira o nome científico.

Dá para plantar no Sul?
Na época mais quente, de setembro a abril, segundo a Embrapa.

Quando colher os cálices?
Depois da floração, a partir de cerca de 150 dias.

Fontes

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Equipe Varanda Nativa

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