Quem esfrega uma folha de alecrim-pimenta entre os dedos entende o nome na hora: o cheiro é forte e picante, bem diferente do alecrim de tempero que a gente compra no mercado. É uma planta brasileira, comum no Nordeste, e ainda pouco cultivada fora de lá. Ela tem uma exigência que surpreende quem vive no Sul e nas serras: não aguenta frio.
Este guia reúne o que a Embrapa Agroindústria Tropical publicou sobre a espécie no documento Cultivo de plantas aromáticas (2017), lido na íntegra. A adaptação para vaso aparece marcada como inferência.
Quem é o alecrim-pimenta
Nome científico Lippia sidoides Cham., família Verbenaceae, a mesma da erva-cidreira-brasileira. Segundo a Embrapa, é uma espécie nativa do Brasil, encontrada na Caatinga, no Cerrado, na Amazônia e na Mata Atlântica. Também é chamada de alecrim-do-nordeste, alecrim-bravo e estrepa-cavalo.
É um arbusto aromático ou pequena árvore de até 3 m de altura, com folhas muito aromáticas e picantes, de 2 a 3 cm, e flores pequenas e esbranquiçadas. Apesar do nome popular, não é parente próximo do alecrim de tempero.
Uma observação sobre o nome: em revisões botânicas mais recentes, Lippia sidoides passou a ser tratada como sinônimo de Lippia origanoides, e é com esse nome que a foto deste post está registrada no iNaturalist. A Embrapa usa Lippia sidoides.

A restrição que mais importa: frio e geada
A Embrapa é direta: por ser originado de clima semiárido, o alecrim-pimenta não se adapta às condições de baixa temperatura e geada. Quem mora no Sul, na serra ou em região com inverno rigoroso precisa tratá-lo como planta sensível. Em vaso, a vantagem é poder recolhê-lo para um lugar protegido nas noites frias; isso é uma sugestão deste guia, não da fonte.
Como fazer mudas: o método da Embrapa
A propagação recomendada é por estaquia, e a fonte detalha o passo a passo:
- use de preferência estacas apicais (pontas de ramo), com 15 a 20 cm;
- retire as folhas medianas e basais e mantenha apenas um par de folhas, com metade da área foliar;
- coloque as estacas em vasos plásticos de 1 litro com areia;
- mantenha sob sombrite de 50% por 30 dias;
- depois de enraizadas, transplante para o local definitivo.
Cortar a folha pela metade reduz a perda de água enquanto a estaca ainda não tem raiz. Para quem não tem sombrite, um canto claro sem sol direto faz um papel parecido (inferência).
Solo, espaçamento e colheita
- Solo: a Embrapa recomenda dar preferência a solos de boa fertilidade, soltos e bem drenados. Em vaso, isso se traduz numa mistura que escorra bem; veja substrato drenante para plantas em vasos.
- Espaçamento: no campo, 0,50 m entre fileiras e 0,50 m entre plantas, para obter mais massa por planta. Em vaso, a inferência é de uma planta por vaso médio a grande, porque o arbusto pode passar de 1 metro.
- Colheita: a partir de 120 dias do plantio, de preferência na floração, cortando as plantas a 30 cm do solo.
- Horário: para maior teor de óleo essencial, a Embrapa recomenda colher em torno das 10 h da manhã.
- Secagem: deve começar logo após a colheita. A fonte registra seis dias de secagem na estação chuvosa e quatro dias na seca.
Usos
A Embrapa registra que folhas e flores são a parte medicinal e são usadas como chá do tipo abafado, tradicionalmente, para rinite alérgica. O óleo essencial varia conforme o quimiotipo, com compostos como timol e carvacrol entre os majoritários. Este site não faz orientação de saúde: o uso medicinal deve ser conversado com um profissional.
Perguntas frequentes
Alecrim-pimenta é o mesmo que alecrim de tempero?
Não. O alecrim-pimenta é Lippia sidoides, da família Verbenaceae, nativo do Brasil. O alecrim de tempero é outra espécie, de outra família.
Posso plantar no Sul?
Com cuidado. A Embrapa diz que a espécie não se adapta a baixa temperatura e geada. Em vaso, dá para protegê-la no inverno.
Quando colher?
A partir de 120 dias do plantio, de preferência na floração, por volta das 10 h, cortando a 30 cm do solo.

