Folha com buraquinhos irregulares e um rastro brilhante de muco ao lado: é o cartão de visita das lesmas e dos caracóis. Eles aparecem sobretudo depois de chuva ou à noite, e muita gente só descobre o problema de manhã, quando os bichos já se esconderam. A Embrapa tem um conjunto de armadilhas simples para esses casos, e um alerta importante sobre um produto que muita gente usa por reflexo: o sal.
Um aviso de método: a publicação da Embrapa foi escrita para hortas urbanas (pátios, terraços e sacadas de apartamentos), com foco em hortaliças. Ela não fala de plantas nativas ornamentais. Quando o texto adapta algo para o vaso da varanda, isso aparece marcado como inferência, e não como dado da fonte.
Como reconhecer
A Embrapa descreve lesmas e caracóis como moluscos terrestres, de corpo mole e mucoso, que raspam folhas, flores, ramos novos e raízes. Preferem locais úmidos e sombreados e atacam à noite ou em dias chuvosos. Isso explica por que o dano costuma aparecer em varandas sombreadas e depois de períodos de chuva.

Armadilhas e iscas que a fonte descreve
- Pano ou estopa embebidos em cerveja ou leite, distribuídos sobre a superfície e ao redor das plantas ao anoitecer. No dia seguinte, bem cedo, vira-se o pano e recolhem-se os moluscos abrigados embaixo.
- Restos de hortaliças (talos, folhas) colocados sobre jornal ou lona plástica, que servem de atrativo.
- Iscas em caixinhas ou latas destampadas, enterradas na superfície do solo: uma pequena quantidade de cerveja ou uma hortaliça, como chuchu, misturada com sal. Os moluscos são atraídos pela isca e pela ausência de luz.
- Pedaços crus de abóbora ou chuchu nos canteiros no fim da tarde, com coleta no dia seguinte.
- Faixas de cal extinta de pelo menos 20 cm de largura ao redor da cultura, renovadas após cada chuva ou semanalmente.
A recomendação geral é repetir a coleta diariamente, para eliminar de forma efetiva os caramujos e as lesmas.
O alerta sobre o sal
A Embrapa é direta: não é recomendado usar sal de cozinha sobre o solo ou sobre a plantação. Segundo a publicação, ele não tem o efeito desejado e ainda pode contaminar o solo e as águas superficiais e subterrâneas, além de danificar as plantas. Repare na diferença: o sal aparece na fonte apenas dentro de recipientes enterrados, como parte de uma isca, e não espalhado na terra do vaso.
Como manusear com segurança
A fonte pede que a coleta e a eliminação sejam feitas com as mãos protegidas por luvas ou sacos plásticos, e que ao final as luvas sejam descartadas e as mãos bem lavadas. Os moluscos coletados devem ser enterrados em valas distantes de poços ou cisternas, cobertos por uma camada de cal virgem não muito espessa. A publicação cita o caramujo-africano em suas referências, e o cuidado com luvas faz sentido porque esses animais podem carregar parasitas, um ponto que vale confirmar com a vigilância sanitária da sua cidade.
Adaptando para a varanda (inferência)
A fonte fala de canteiros de horta. Em vasos de varanda, o mesmo raciocínio pode ser aplicado assim, como sugestão deste guia: manter a terra do vaso sem encharcar (lesma gosta de umidade), evitar folhas e restos úmidos amontoados ao redor dos vasos, e fazer uma ronda ao anoitecer ou de manhã bem cedo. Se há crianças ou animais de estimação na casa, a cal exige atenção redobrada, porque é irritante: nesse caso, prefira armadilhas de pano e coleta manual, e mantenha tudo fora do alcance. Para a regulagem da rega, veja excesso ou falta de água? Como observar os sinais antes de mudar a rega.
Perguntas frequentes
Posso jogar sal em volta do vaso?
A Embrapa desaconselha. Segundo a publicação, o sal sobre o solo não tem o efeito desejado, pode contaminar o solo e a água e danificar as plantas.
Quando é o melhor horário para armadilha?
Ao anoitecer, porque lesmas e caracóis atacam à noite ou em dias chuvosos. A coleta é feita bem cedo no dia seguinte.
É preciso proteger as mãos?
Sim. A fonte recomenda luvas ou sacos plásticos, descarte das luvas e lavagem cuidadosa das mãos.

